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  • Track List
  • Pouco
  • Deixa Ela Entrar
  • Pequena Morte
  • Um Leão
  • Lado de Lá
  • Olho Calmo
  • Boca Aberta
  • A Massa
  • SETEVIDAS
  • Serpente
SETEVIDAS
15/05/2014

São 5 anos desde que foi lançado “Chiaroscuro” (2009), o álbum de estúdio anterior, e, com ele, o hit “Me Adora”, que conquistou todo o país ao apresentar uma faceta inédita da cantora, compositora e multi-instrumentista. Desde então, Pitty formou com o guitarrista Martin Mendonça o duo Agridoce, que aprofundou a exploração de novos caminhos musicais, como o folk psicodélico, e ambos passaram por todo o Brasil com a turnê do elogiado álbum. De lá pra cá o que mais aconteceu? A resposta vem direta logo após o término da primeira audição de seu novo álbum, “SETEVIDAS” (2014): tudo o que acontece entre um trabalho e outro e que atende pelo nome de Vida.

Não foram exatamente sete vidas, como sugere a faixa-título do álbum; afinal, como canta Pitty, “ainda me restam três vidas pra gastar”. Mas o suficiente para que compusesse um álbum permeado por temas que relatam a sobrevivência que nunca capitula ao meramente existir: por vezes resiliente, mas sempre observadora e contestadora. Logo na abertura, o rock direto “Pouco” escancara a insatisfação crônica inerente a todo ser humano: “Não espere que eu me contente com pouco/é pouco/tão pouco”.

Nas duas faixas seguintes, Pitty questiona o materialismo como forma de satisfação, seja através das vicissitudes do nosso comportamento (“Deixa Ela Entrar”) ou até mesmo do orgasmo como forma de libertação (“Pequena Morte”, do eufemismo francês que designa essa ação, La Petite Mort). Esse mesmo tema central retorna mais tarde no álbum no duo “Boca Aberta”, com sua crítica ao consumismo desenfreado, e “A Massa”. O lado A do vinil fecha com a bela “Lado de Lá”, que inclui um impressionante flerte com a psicodelia ao compartilhar a dor da despedida daqueles que se vão muito cedo.

Gravado ao vivo, com todos os instrumentos tocados simultaneamente, no Estúdio Madeira (SP), “SETEVIDAS”, o álbum, foi produzido por Rafael Ramos e mixado pelo inglês Tim Palmer (’62 Studios, Austin, TX), que já trabalhou com U2 e Pearl Jam (mixou o clássico “Ten”), além de David Bowie, Robert Plant, Ozzy Osbourne e outros. Nesse processo, Palmer foi praticamente um quinto membro da banda ao revelar em preciosos detalhes todo o som tirado em estúdio pelo grupo, formado, além de Pitty, por Martin, Duda e Guilherme.

A masterização de Ted Jensen (Sterling Sound, Nova York, NY), que já finalizou para Arcade Fire, Norah Jones, Muse, Paul McCartney e Florence and the Machine, é o toque final. O resultado é um som “grande, mas garageiro”. Pitty e Rafael estiveram presentes em todas as etapas, cuidando para que o resultado final soasse da forma que planejaram: “Era a linguagem que queríamos”.

Pitty é compositora de todas as faixas do álbum, contando com a parceria de Martin em algumas (“Boca Aberta”, “Deixa Ela Entrar” e “Pequena Morte”) e de toda a banda em “Olho Calmo”. Carlos Malta faz uma participação especial tocando variados sopros na faixa-título “SETEVIDAS”.

Se a linguagem é Rock, como não seria diferente, há sem dúvida espaço para novidades no som. Ampliando as experimentações, Pitty e banda incorporaram sutilmente ritmos africanos, especialmente uma herança rítmica do candomblé, que foi trabalhada com a preocupação de não soar caricata, mas orgânica, utilizando elementos típicos desse universo (instrumentos como agogô e caxixi) de uma forma diferente, que complementasse o som da banda. O trabalho de voz, assim como coros e aberturas vocais, impressionam e vão além do que foi apresentado em “Chiaroscuro”, mesmo quando o som está ainda mais pesado. Pitty consolida e amadurece ainda mais em “SETEVIDAS” um estilo único e marcante de interpretar canções.

É em “Serpente”, a faixa que encerra o álbum, que todas essas experimentações, inclusive as rítmicas, ganham destaque e força. Música única na discografia de Pitty, ela sucede a dor reflexiva da faixa-título com um mantra que clama pela renovação e o recomeço: “Chega dessa pele/É hora de trocar/Por baixo ainda é serpente/E devora a cauda pra recomeçar”. A evocação da figura mítica do Ouroboros reforça a catarse do processo de transformação de uma artista que nunca se recusa a sentir em público e apenas reforça o movimento cíclico da vida. Mesmo que o recomeço venha do admitir que é pouco, tão pouco.


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