
09 out KBRUM transpassa a Baixada Fluminense através do reggae em “Raggaleluia”, primeiro disco de estúdio

Créditos: Wander Scheeffer
Entre 14 faixas e participações KBRUM amplia investigação sobre a diáspora jamaicana, atravessando espiritualidade, identidade e pertencimento
A relação entre música, fé e território conduz “Raggaleluia”, novo álbum de KBRUM, lançado pela gravadora Deck. Suburbano, natural de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, o artista revisita suas origens para transformar a música que o salvou em mantra de cura. Delineando 14 faixas, o disco Raggaleluia reúne participações de Gugs, Bruno Kroz, Mascotte, Maui, Ludom, Clara Ribeiro e Chediak para um passeio sonoro que engloba elementos íntimos de identidade e pertencimento como sua visão de mundo através da fé.
Sob direção musical WANDO e produção assinadas por CARLO e Áfricanoise , “Raggaleluia” reflete as referências que moldaram a trajetória de KBRUM – a qual a fé foi primeiro expressada em templos evangélicos, incentivo de seu pai, porém foi no contato com religiões de matriz africana que KBRUM encontrou novos espaços de expressão, e ficou cara a cara com a cultura urbana e seus elementos. Esses diferentes universos se entrelaçam em uma obra que tem a Baixada Fluminense como principal fonte de referência.
“Raggaleluia é a grande conclusão de toda essa história. É uma palavra que criei a partir da junção de duas outras: ragga e aleluia, esta última associada ao sagrado. E, realmente, o reggae me salvou. Para mim, o reggae é um milagre. Acho que não tem outra forma de explicar o que acontece quando nós, pessoas pretas e periféricas da Baixada Fluminense, conseguimos fazer o que estamos fazendo. É um milagre mesmo. É um canto gospel, de louvor, regozijo e gratidão”, comenta Kbrum.
A conexão entre religiosidade e identidade também ganha expressão na capa, pintada por Rafael Símba, que retrata Cristo alado, envolto em um manto com as cores da bandeira jamaicana, empunhando uma espada e uma balança da justiça enquanto pisa sobre seu algoz demoníaco, sincronizando a representatividade a resistência.
E assim, KBRUM começa a contar a sua história pelas pessoas que vieram antes e tornaram tudo possível: sua família. “Introdução (Original Bom Dia)”, é o abre-alas que motiva KBRUM a revisitar a infância, época que o pai costumava acordá-lo ao som do violão. Na sequência, “Mó Paz” explora a convivência com os amigos e a satisfação de acompanhar conquistas compartilhadas. Já em “Não Demora”, terceira faixa da tracklist, o amor e a ansiedade pelo reencontro com a pessoa amada se tornam o centro, enquanto “Deus Me Livre”, com Gugs, recorre ao humor e à fé para enfrentar as dificuldades do cotidiano.
Voltando os olhares para a história do movimento do reggae na Baixada, “Original BXD” leva até o público uma dimensão política do artista, marcada por pautas de liberdade e justiça social. E vai além quando chega em “Bye Bye Bye”, que traz um contorno picante para o disco ao introduzir o rock sem receios. Em “El Patron”, com participação do soteropolitano Bruno Kroz, e “Interlúdio”, KBRUM alinha o ancestral e o contemporâneo em fortes linhas de grime e samba – desafio para muitos, diversão para o protagonista.
Em um disco com forte presença do reggae não pode faltar o dancehall jamaicano, estrelado na track “Fora da Lei”, com composição que aborda jogos de sedução de forma leve. Já “Lewis Hamilton”, com Maskotte, KBRUM aproxima o drum and bass de referências da música brasileira e da eletrônica londrina. Na sequência, “Pussy”, já conhecida pelo público, ganha destaque, seguida de “Jamaicaxias 2″, parceria com Maui, que resgata a estética dos anos 2000 com uma toque de reggae e R&B. Em “Manipula”, feat Ludom, o artista investe no amapiano abrasileirado em diálogo com a MPB e a música eletrônica, ampliando as possibilidades sonoras do projeto. Na reta final do trabalho, KBRUM convida a cantora carioca Clara Ribeiro para finalizar o disco com faixa-título
Ao articular todos esses símbolos, Kbrum apresenta seu lugar de origem em uma ótima amplificada e criativa, com começo, meio e fim, utilizando a Baixada Fluminense como parte indissociável de sua criação, tendo “Raggaleluia”, como elo de ligação e afirmação coletiva, no qual KBRUM busca com liberdade e propósito.
“Só de estarmos vivos, já somos um milagre. Estamos à procura da liberdade, de algo que nos dê significado. Sou grato por tudo isso. Amém”, finaliza o artista.
TRACKLIST
1 – INTRODUÇÃO (ORIGINAL BOM DIA)
2 – MO PAZ
3 – NÃO DEMORA
4 – DEUS ME LIVRE part. Guggs
5 – ORIGINAL BXD
6 – BYE BYE BYE
7 – EL PATRON part. Bruno Kroz
8 – INTERLÚDIO
9 – FORA DA LEI
10 – LEWIS HAMILTON part. MASKOTTE, Chediak
11 – PUSSY
12 – JAMAICAXIAS 2 part. Maui
13 – MANIPULA part. Ludom
14 – RAGGALELUIA part. Clara Ribeiro