Thiago Elniño – Pipas / Feitiço

Thiago Elniño – Pipas / Feitiço

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  • Pipas - Felipe Cordeiro, Zuca Beatz
  • Feitiço - Felipe Cordeiro, Zuca Beatz
Alguns encontros são tão óbvios que, quando finalmente acontecem, geram a pergunta: “por que isso não aconteceu antes?” E, junto com ela, vem um sentimento de correção de rota — como se desse para recuperar um tempo que estava só esperando ser vivido. É o caso do encontro entre Thiago Elniño e Felipe Cordeiro, que resultou no single duplo “Pipas / Feitiço”, com lançamento em 27 de março, pela Deck. As duas faixas também compõem o próximo álbum de Thiago, “Canjerê”, previsto para abril de 2026, com 15 faixas. O percurso do rapper, pedagogo e educador popular de Volta Redonda (RJ) vem se desenhando por caminhos bem próprios: do MC de batalhas e do boom bap ao artista aberto a encontros e experimentações — especialmente aquelas que se conectam a sonoridades que nascem nos espaços de fé do povo preto ao redor do mundo e, em especial, na cultura afro-brasileira. É nesse contexto que o encontro com Felipe faz todo sentido. Cantor, produtor e guitarrista paraense, Felipe Cordeiro é um dos grandes nomes da música de Belém, reconhecido por fundir ritmos amazônicos com elementos da música pop contemporânea, em uma mistura que passa por guitarrada, carimbó, cúmbia, tecnomelody e música eletrônica. Quando iniciou “Canjerê”, Thiago queria que o disco fosse, de fato, um encontro: um cruzamento de culturas que saudasse a fé de pretos e indígenas brasileiros, uma roda de quem faz magia através da música. “Pipas / Feitiço” é um recorte muito vivo disso. Produzidas por Matheus Padoca, com beats de Zuca, as duas faixas soam como uma passagem por Belém do Pará dentro da grande viagem que é “Canjerê” — um disco que, em suas 15 faixas, transita por diferentes referências culturais, com presença forte de sonoridades de terreiros e do pagodão baiano. Enquanto “Pipas” reflete sobre a vida e o tempo a partir de cosmologias dos candomblés, “Feitiço” trata de um relacionamento amoroso que se desenha a partir de um primeiro contato entre duas pessoas dentro de um terreiro. Nessas músicas, a guitarra de Felipe surge quase como uma observadora: ela tece comentários, sublinha momentos importantes e ajuda a virar a cena quando a narrativa pede. É um jogo bonito em que narrativa e narradores revezam atenção e protagonismo — em canções que incitam repetidas audições, com arranjos ao mesmo tempo complexos e fluidos, gostosos de ouvir. No fim, fica a impressão de que o encontro entre Thiago e Felipe funciona tão bem que poderia ter acontecido antes — e que deveria acontecer mais vezes. Ao mesmo tempo, é ótimo que tenha acontecido agora. Bora escutar de novo.

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